PL não tem distrito industrial para abrigar empresas. Mas elas compram terrenos e se instalam em Sete Lagoas

PL não tem distrito industrial para abrigar empresas. Mas elas compram terrenos e se instalam em Sete Lagoas

Planta da Iveco em Sete Lagoas (foto Precon)

A Medcom, empresa paulista de distribuição de medicamentos e materiais hospitalares, será a próxima a se instalar no vibrante distrito industrial da vizinha Sete Lagoas. Nesta segunda, a empresa assina o contrato de compra de um terreno de 62.500 m², localizado na rodovia MG-238, em frente à Iveco. A vendedora do terreno é a empresa ECO 238. informa o site Setelagoas.com.br. Ainda segundo o site, o complexo a ser construído no local vai abranger a criação de 20 laboratórios farmacêuticos – é a primeira unidade fabril da empresa- nos quais se prevê a geração de 350 vagas de empregos qualificados.

Tais empreendimentos procuram a nossa região por conta de suas evidentes vantagens logísticas e nem sempre exigem terra de graça para se instalarem – como mostra o caso da Medcom, que está comprando o terreno. Nos últimos quinze anos, pelo menos dois empreendimentos parecidos – uma distribuidora de produtos pet e um grupo de empresas do ramo de embalagens – se interessaram em instalar condomínios por aqui. Além da falta de terrenos disponíveis para serem cedidos pelo município, o preço proibitivo do metro quadrado – algo em torno de 50 a 100 reais – também desestimulou os possíveis investidores. Imaginem o preço de mais de 60 mil metros.

Pedro Leopoldo hoje é uma cidade cheia de loteamentos (ou lotes vagos) que, paradoxalmente, não tem um distrito industrial, um local específico para abrigar empresas. A especulação imobiliária é uma particularidade histórica de nossa trajetória: os preços dos imóveis tanto para compra quanto para aluguel são bem maiores aqui do que nos municípios vizinhos e se aproximam dos praticados em Belo Horizonte.

A função social da terra, definida constitucionalmente, indica que um terreno que não abriga nenhuma atividade produtiva e fica parado, valorizando, deveria ser sobretaxado. O que talvez incentivaria seu proprietário a vendê-lo por um preço menos especulativo a uma empresa que queira se instalar em nossa cidade, aproveitando os benefícios de nossa localização como proximidade da capital e do aeroporto internacional. Mas é só um prefeito aumentar o IPTU nos bairros mais valorizados para a gritaria ser geral.

Quanto aos terrenos doados, é estratégia que, segundo o economista Saul Amorim, “atrai mais picareta do que empresário sério”. Para ele, o município tem que ter “uma política de desenvolvimento regional séria, que construa um ambiente, institucional, cultural, ambiental e de mão de obra atrativos” para novas empresas.

Bianca Alves

Criadora e editora do projeto AQUI PL, é formada em Comunicação Social pela UFMG e trabalhou em publicações como os jornais O Tempo, Pampulha, O Globo; revistas Isto é, Fato Relevante, Sebrae, Mercado Comum e site Os Novos Inconfidentes

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