As palavras podem ser duras e até machucar como o arame farpado – material recorrente na obra de Márcio Euzébio Barbosa. Mas, em suas várias tessituras, nos acenam com os limites que nos desafiam – afinal, muitas vezes vêm em forma de perguntas. Melhor do que vencê-los, porém, é desvendar as pistas rumo às informações que ampliam horizontes, empoderam e nos fazem agentes de nossas próprias transformações.
O novo trabalho do artista plástico pedro-leopoldense – Márcio está produzindo como nunca nesta pandemia- tem o nome de “Entrelinhas” e, de tão instigante, ganhou até poema da amiga e admiradora Adriana Maciel.
TEXTURAS
As palavras brotam em desalinho
e sangram sonhos por entrelinhas
Dói-me a alma o flagelo do aço
e não me detenho em pontuações
Sigo anônima
desenfreada
no cárcere de minhas indagações
nesta textura agreste
Clamo pelo encanto das rimas
e pelo paraíso das abstrações plenas
em muitas dimensões…
Porém sigo na linearidade das pontas afiadas
sem métrica
Sem encantamentos
na crueza
das horas
e de um tempo que se esvai
frio cinzento e triste
Dói-me a sagacidade
intencional das palavras
que morrem em voos rasantes
após transbordar sentimentos
e ganhar universos
Dói- me o silêncio que jaz profundo
na indiferença
De onde brotam palavras-lágrimas
que feito enxurrada carregam emoções
Abstraio-me de realidades torpes
disfarçadas de delicadezas
dos olhares felinos
que ocupam poderes
da ignorância sistemática
provocadora
de escravidão
e abandono
Firo-me nas farpas
E lamento
qual anjo molhado
soluçando em seu flautim…
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